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Eduardo Shiota Yasuda is a front-end engineer, designer, and occasionaly writer and speaker. He handcrafts clean, readable, scalable code and interfaces; believes that Math and Design are everywhere.

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O primeiro dia das mães fora de casa, em casa

Este é o primeiro ano em que acordarei no quarto, e não irei pegar uma sacola escondida em meu guarda-roupa, enquanto o pai vai pegar o presente e flores que comprou para você. Quando entregar meu pacote, não estarei de pijamas, com cara de sono. Este é o primeiro ano que direi que passei o Dia das Mães na “casa dos meus pais”.

Para mim, às vezes é difícil acreditar na grande mudança que ocorrou no último ano. Acreditar que estou pagando todas as contas, sustentando um lar, comprando eletrodomésticos, escolhendo a marca do sabão em pó e da pasta de dente, decidindo se vamos comer bife à milanesa ou carne moída. Mas o que é mais difícil de acreditar é como a decisão por essa mudança foi fácil. Como um passo tão grande, tão importante, foi tão natural. Nada foi forçado, mal pensado, repentino ou fora de lugar. Tudo isso graças a vocês. A lembrança daquela noite, na cozinha do apartamento na Saúde, onde anunciei que logo moraria por conta própria, ainda é viva em minha mente. Uma decisão pensada, planejada em anotações e planilhas, pesquisada. De coração.

E nos últimos 6 meses, cada vez que que vou comprar ingredientes para a janta, que preciso gastar para consertar algo, que acordo 7:30 querendo dormir mais cinco minutos, que chego em casa às 20:00 querendo dormir uma eternidade, penso… como? Como vocês conseguiram nos criar com tamanha dedicação e disciplina? Como vocês conseguiram manter uma casa em ordem, com comida e roupas limpas, pagando a educação (e os mimos) de dois filhos? Como vocês tiveram paciência quando eu pedia aquele jogo de Super Nintendo, enquanto tinham tantas contas pra pagar? Como vocês conseguiram pagar nossas escolas particulares (e minha faculdade)? Como é possível que todo dia de manhã teve pão fresquinho, café quente e rádio ligada na Band AM (no programa “O Pulo do Gato”)?

Hoje, consigo entender um pouco mais como é árdua a tarefa de planejar para que nos próximos meses não falte luz em casa. Consigo entender o porquê de você sempre querer lavar a louça logo depois de comermos, mesmo quando o pai falava “Deixa que a gente lava amanhã” (louça acumulada é um terror!). O porquê de você ficar triste quando ninguém falava como a comida estava gostosa (e acredite, estava gostosa SEMPRE). O porquê de você ficar brava com a minha desorganização do quarto (manter uma casa organizada não é fácil). O porquê de você ser tão rígida com meu desempenho, meus estudos e minhas notas (educação não é barata, e hoje só tenho agradecer à que eu tive).

Todo ano eu escrevo e tento me expressar o quanto sou grato e a respeito por tudo o que fez. Mas neste, meu nível de respeito é outro. Imensurável. Maduro. Dizem que quando a gente fica longe, percebe o real valor das coisas. O real valor eu sempre percebi e respeitei, não tenha dúvidas. Mas depois de ficar longe — nem que seja uma distância de três estações de Metrô — posso dizer: você é uma heroína, dona de valores, honra, dedicação e atos que espero um dia poder replicar. Espero que você continue realizando seus sonhos, e que a viagem para a China e o Japão tenha sido a primeira de muitas. E nunca tenha dúvidas de uma coisa: estarei sempre aqui para fazer de tudo para que eles tornem-se realidade.